quarta-feira, 9 de maio de 2018

A LINGUAGEM ESTÉTICA DO PODER 1.



Os animais que, quase todos, se movem, lutam por um espaço ainda maior. Uma das principais funções do cérebro é organizar o movimento, e o movimento necessita espaço. Alguns animais marcam seus territórios pelo cheiro, como cães e lobos que urinam para que se saiba a quem pertence aquele espaço. Poderiam urinar a bexiga inteira em um só poste, um só tronco de árvore, mas preferem usar postes e árvores para demarcar seu mais extenso território. Os animais "privatizam" o espaço e o espaço privatizado é excludente: esta é a "minha" casa, o "meu" quintal, o "meu" latifúndio; não é a "tua" casa, o "vosso" quintal ou a "nossa" terra. não nosso ou vosso: é meu! Inicia-se a luta, feroz ou ardilosa, pelo espaço, que se tornou extensão do corpo do dono, seja leão, tigre ou, no campo, grileiros. o que acontece nas florestas e savanas com animais selvagens, acontece com latifundiários, na Bolsa de Valores com o cassino da especulação financeira. O dinheiro tudo compra, a começar pelo espaço onde vivemos, pela comida e água que nos permitem viver. Só não compra o ar que respiramos... mas polui! (Augusto Boal)

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